segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O FANTASMA DA SECA...


A falta d'água é o pior pesadelo do nosso querido Pai. Todos sabemos da obsessão que tem em acumular água, em tanques, barris, garrafas e baldes. O pessimismo se generaliza sobre o nosso futuro, pois teme que o ano que se aproxima será de uma seca. Mas quem não lembra das desventuras do nosso povo sertanejo por falta d'agua?  
                             
                          

Quem não lembra dos tempos de seca no sitio, carregando água tirada das precárias cacimbas...caminhando léguas para lavar as roupas...Lembranças que fazem parte das nossas origens...


E quem tambem lembra, carregando água nos jegues, nos galões, nas jarras de barro, de lugares mais distantes, quando as cacimbas mais próximas secavam? Pois é minha gente mais nova, essa família vem de tempos mais difíceis e históricos.


E quem esqueceu os "arretirantes", que, por não poder sobreviver no campo, por falta d'água e comida, tinham que migrar, com todas as suas possessões, em longas caminhadas para lugares distantes?
Nossa irmã Betania nasceu numa seca. (Explica-se a fome crônica). O ano foi 1958, num cenário cinzento de mato seco. Nós morávamos na Boa União. 

 Luiz Gonzaga sintetizou poeticamente o drama da seca em "Asa Branca", mas traz na sua poesia a esperança, característica do povo nordestino, que não se dobra aos infortúnios, sempre lutando para melhorar sua condição de vida.

Quando "oiei" a terra ardendo
Qual a fogueira de São João                          
Eu perguntei a Deus do céu, ai                    
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de "prantação"
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão
Quando o verde dos teus "óio"
Se "espaiar" na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração




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