sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O ESQUECIMENTO SELETIVO...


Na experiência da convivência com nosso Pai, vivo com a realidade do esquecimento, natural de quem avança em anos, ou mais claro, envelhece. Na sua mente, essa realidade é um pouco diferente, em comparação com outros. Contar piada, para ele, é compulsório. Num velório que fomos, ele, Lucinha e eu abreviamos a nossa visita, quando ouvimos que contava piadas ao pai do morto. Mas na sua cabeça está um emaranhado de pessoas, que são seus filhos, netos e bisnetos, familiares, amigos e conhecidos, cujos nomes não saem quando quer mencioná-los, assim, que, suas conversas tornam-se charadas enigmáticas, com alusões àquele, o homem, a mulher que mora em Catolé, o menino, a mulher d'aqui, aquela que mora longe, a nenenzona, a nenem etc... Mas, os dias de feira, dias de pagamento de contas, arrecadação de dinheiro prometido, de botar o lixo fora, comprar mantimentos e outras eventualidades rotineiras nunca foram esquecidas, o que nos dá esperança que sua mente embaralhada como seja, continue seletiva quanto ao esquecimento.


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