quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

AGUANDO, AGUANDO...


Pode ser terapia e ocupação para muitos, mas para o nosso Pai, aguar as plantas é, não só uma obsessão, mas uma arte com regras e detalhes a serem seguidos e obedecidos. A torneira tem que ser aberta, de início, só um pouquinho, até que todos os canteiros estejam cheios. Depois vem a lenta progressão de abertura e cada etapa tem seu tempo, significado e objetivo. As plantas em jarros já se adaptaram a essa tentativa de afogamento, pois essas aplicações são repetidas de manhã e de tarde, por várias horas, no decorrer de 2 dias consecutivos, já que a água é racionada, com o abastecimento intercalado a cada dois dias. Isso no jardim dianteiro, pois na parte dos fundos, ele conta com um cacimbão, onde o consumo é sem limite.


Noutro dia enquanto se ocupava com essa atividade, passou uma senhora, na calçada e lhe perguntou: "alguma novidade por aqui?" Ele respondeu: " o homem que mataram, morreu." Ela, muito aflita, botou as mãos na cabeça e disse: "ai meu Deus, como é possível?"  depois, parou e pensou. Perguntou outra vez: "o que o senhor disse mesmo?" Ele: " o homem que mataram, morreu." Ela: " tenha vergonha nessa cara, como pode dizer uma besteira dessa?".. e saiu indignada. Assim é nosso pai, um moleque de 83 anos...

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