sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CARCINICULTURA - DO SERTÃO PARA O MUNDO, TANGENDO CAMARÃO


A Edição Especial de Aniversário de 02 anos do Jornal NOVO JORNAL, publicou novamente uma matéria sobre o Sr. Itamar Rocha (ABCC), nas paginas 27 e 28, cujo texto original foi publicado em 05 de dezembro de 2010, com o Título: Carcinicultura – Do sertão para o mundo, tangendo camarão.


Paraibano Itamar Rocha, que deixou Brejo do Cruz ainda menino, ganhou bolsa em Israel para estudar piscicultura e nunca maisdeixou o setor. Empresário no RN, hoje ele é uma autoridade mundial em aquicultura

Quando em 1958, aos sete anos de idade, numa das maiores secas que já assolaram o sertão nordestino, o menino Itamar Rocha ficou sem o algodão que colhia na pequena Brejo do Cruz, no interior da Paraíba, teve a primeira intuição sobre a necessidade de encontrar alternativas para se produzir alguma coisa mesmo em condições tão adversas. Exatos 20 anos depois conseguiu uma bolsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) para fazer um Curso de Especialização em Cultivo de Peixe de Água Doce, numa fazenda de piscicultura no Kibuts Nir – David, em Israel, onde viu os israelenses produzirem 10 toneladas de peixe por hectare em pleno deserto de Négev, graças ao uso de tecnologia intensiva.

Desde então, Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão há 13 anos, não se conforma em ver tanta água acumulada em projetos de açudes e barragens no interior do Nordeste e uma produção tão pequena de pescados numa região onde a pobreza ainda predomina e a atividade poderia ser uma grande geradora de empregos e renda.

A conformação física com o rosto redondo e rosado, pequena estatura, corpo atarracado e a convicção na defesa de seus pontos de vista não deixam dúvidas sobre a origem sertaneja de Itamar de Paiva Rocha.

E se o sertanejo é antes de tudo um forte, como definiu Euclides da Cunha, Itamar Rocha é um exemplo de que a definição do final do século XIX, transformada em bordão, ainda vale nesta primeira década do século XXI.

Ele e mais 12 irmãos são filhos de um caminhoneiro e de uma professora primária. Morou na fazenda Boa União em Brejo do Cruz até os 13 anos, onde concluiu o ensino primário. Daí para frente foram vários os desafios vencidos. O primeiro foi passar na seleção para estudar no ColégioAgrícola de Catolé do Rocha, depois no Colégio Agrícola João Coimbra, em Barreiros, já em Pernambuco, onde se formou técnico agrícola em 1970.

O caminho natural seria uma faculdade de agronomia, mas ele mesmo escolheu um novo desafio e decidiu estudar Engenharia da Pesca na Universidade de Pernambuco, numa época em que esse era o único curso desse tipo instalado no Brasil. Hoje existem 17 cursos superiores de Engenharia da Pesca e algumas dezenas de cursos técnicos na área.

Desde então o mundo da pesca e mais especificamente o da piscicultura com o qual se identificou ainda nos bancos da faculdade fazem parte da vida dele, tanto assim que escolheu o assunto como tema para a monografia na qual discorreu sobre o Cultivo de Camarão Marinho com Ração. Isso no começo da década de 70, uma época em que não se falava na criação em cativeiro do crustáceo no Brasil.

São 35 anos dedicados à atividade que lhe renderam muitas viagens internacionais, a condição de conhecer novas técnicas nos países de maior produção mundial e a experiência teórica e prática do negócio da criação e comercialização de camarão criado em cativeiro.

Durante sete anos Itamar trabalhou na base de pesquisa do Departamento de Oceanografia da UFPE na ilha de Itamaracá. Foi lá que ganhou a bolsa para estudar em Israel e em seguida no Hawai, nos Estados Unidos, onde foi trabalhar com a reprodução induzida de tainhas.

Foi quando a vida faz daquelas que ninguém espera. O chinês IChiu Liao foi conhecer o projeto no Hawaii e, como o orientador dele não se dava com o chinês, incumbiu Itamar Rocha de apresentar o projeto àquele que é considerado um ícone da aqüicultura mundial.

O resultado foi uma viagem técnica de 45 dias a Taiwan onde fez um curso intensivo no cultivo de camarões marinhos e do camarão de água doce, realizado no Tungkang Marine Laboratory. De lá para cá foram outras 11 viagens à China, maior produtor mundial de pescados com 60 milhões de toneladas por ano. Só para se ter uma comparação a produção brasileira é de apenas um milhão de toneladas.


Bem merecido o reconhecimento dado ao nosso querido irmão. Parabens.

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