segunda-feira, 2 de abril de 2012

ZÉ MUNCUNZÁ : UM CONTADOR DE HISTÓRIAS...


O contador de histórias era um personagem presente nos sítios de antigamente. A tradição oral prevalecia, pela inexistência da literatura infantil impressa. Zé Muncunzá preenchia essa importante função na Fazenda Boa União. Apesar de não ser morador permanente, estava presente por várias temporadas, trabalhando nas colheitas periódicas. Ele era um tipo franzino, nervoso, ( mexia com uma caixa de fósforo sempre que estava inativo), e mantinha calorosas discussões consigo mesmo, mas nos deleitava com suas histórias, como "A Cabra Cabriola", e tantas outras. À noitinha, nos sentávamos à sua volta e de ouvidos atentos e olhos curiosos, nos emocionávamos com os desfechos dos seus contos, que eram sempre relacionados com o meio em que vivíamos. Creio que tinha uma imaginação muito fértil e improvisava suas histórias, mas elas dominavam a nossa atenção e nos transportavam a um mundo paralelo, onde tudo era possível...
Zé Muncunzá, não só contava histórias. Era o elo entre todos os aglomerados circunvizinhos, divulgando notícias, propagando acontecimentos sociais, como casamentos, batizados, nascimentos, falecimentos, e levando tanto recados, como pacotes, sempre com boa disposição. Uma vez acompanhou papai à Timbaúba, sitio vizinho. Carregava a mala, andando sempre na frente, falando sozinho e em voz alta. Papai lhe ofereceu alguns "mil reis" para manter-se calado. Aceitou, mas depois de uns minutos, devolveu o dinheiro... não conseguia calar-se e continuou: "...lá em Chiquim Carrero, o açude sangrou..." Tambem tinha uma linguagem própria. Fazer refeições era: "pegar o passo"...,  viajar em algum transporte era: "pegar a sopa"... Zé Muncunzá ainda é lembrado por todos que o conheceram e sobre ele, cada um tem algo para acrescentar...

6 comentários:

  1. Escutei muito as historias que ele fallava sozinho rsrrss Alias a nossa casa sempre foi frequentada por figuras interessantes, Como um mudo que o arrodeavamos para ve lo fazer magica com as maos, tinha Benjamin, Severino Noe, Naninha que se vestia toda de Branco e sempre carregando uma sobrinha combinando com seu vestido rsrsrsrs, ....

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  2. Todos nós escutamos e nos encantamos com as histórias de Zé Muncunzá. Lembro também que além de exímio contador de histórias, gostava de cantar e acompanhar com sua caixa de fósforo, como se fosse um instrumento musical.

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    1. Era mesmo. Tambem usava chapeu o tempo todo, não era? Uma vez eu fui p'ra Timbaúba com ele, e como fez com papai, levou minha maletinha. Eu ia pegar o "mixto", que vinha de Riacho dos Cavalos, p'ra São Bento, lá na Timbaúba. Foi a mesma coisa, conversou só e gesticulou a caminhada toda, andando sempre adiante.

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  3. E por falarem pegar o passo, Marlene, Tutuca, Neuma, Marluce, Rossana, Dayse, Cristina pegaram o passo aqui no almoço de ontem, foi uma farra só.

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    1. Gente, essa expressão, "pegar o passo", ficou institucionalizada...

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