sexta-feira, 8 de junho de 2012

HISTÓRIAS DE ALDERI - A CIGANA...


Ciganos sempre chegaram para acampar em volta de Brejo do Cruz, nos sítios vizinhos ou na periferia da cidade. E quando vinham, a vida pacata se transformava com essa invasão de cores e pessoas, pedindo, querendo ler a mão, a sorte, de casa em casa, sem receio de trespassar ou pisotear alguém. E assim chegavam à nossa casa, para desespero de papai que não tolera distúrbios na ordem estabelecida, mas a nossa mãe, tinha uma paciência e tolerância sem limites, atraindo a presença das ciganas. Elas rapidamente aprenderam que o caminhão na frente da casa, significava a presença do nosso pai, evitando ir lá. Mas um dia, ele deixou o carro na usina e de manhã, depois do café, tirou sua sanfona e sentou-se para tocar. A cigana, com a ausência do caminhão, já foi entrando casa à dentro e quando ouviu papai tocando, sentou-se no chão da sala e tentou lisonjeá-lo dizendo: "Como toca bem, que música mais linda, parece Noca do Acordeon"...quando a ouviu, ele parou e perguntou enraivado o que fazia em sua casa... ela, então, levantou-se, bateu os chinelos no chão e disse: "Quem diz que uma pessoa dessa sabe tocar...mais parece a zuada de uma lata, amarrada no rabo de um jumento"...   e saiu rua afora, danada da vida... 

PS. Noca do Acordeon era Adauto Pereira Mattos, nascido no ano de 1940, em Jequié, na Bahia, considerado como um gênio do acordeon.

Um comentário:

  1. nossa... aqui em teofilo otoni o que nao falta é cigano... td canto tem uma reca de ciganos.. acho triste que eles não criam meninas.. só filho homem. conheço tanta gente aqui que tem filhas de ciganos.. que eles doam quando elas nascem... ;/



    ah, em julho chego em joao pessoa....=)

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