terça-feira, 30 de julho de 2013

O RITUAL DA CANJICA...


O milho veio verdinho do sítio de Dedé, e Neuma, que da última canjica só recebeu os dez sabugos, quis fazer seu próprio prato. Revestida de sua posterior experiência, de chefe de boteco, logo recrutou mão de obra sem qualificação, para dar inicio ao ritual preparatório da delícia sertaneja. Guardou os sabugos. Não sabemos se levou para retribuir o presente recebido ou achou utilidade nos que ganhou.


Não adiantou a tentativa da mulher de Dedé, de esquivar-se do trabalho, alegando a doação do milho. Neuma tem pulso firme, vontade de ferro e não se convenceu com o estabelecimento de regalias. A caçulinha, também taxada de mão de obra desqualificada, enfrentou o moinho. Esse moinho é o próprio para milho verde, mas estando bem guardado por muito tempo, foi esquecido pela turma do preparo anterior. 


A parte mais difícil é o mexe-mexe até engrossar, mas determinação e confiança estavam estampadas no seu semblante e a vontade de comer canjica sobrepunha-se ao suor e a qualquer outro obstáculo.


Será que queimou? alguém perguntou... está parecendo meio escuro no fundo da panela, um comentário feito, mas Neuma, recém saída do banho, calma e com nova roupa, permaneceu silenciosa, (não deu cabimento), enquanto enchia os pratos. Tutuca e outra turma, já à mesa, olhavam e esperavam para saborear.

Valéria e Manuelly aprovaram e disputaram a raspa da panela... Neuma com um ar benevolente, mostrava satisfação...

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