quarta-feira, 28 de agosto de 2013

FATIMA, A ESCOLHIDA PARA PATROCINAR A FEIRA...


Não adianta vestir-se modestamente, fazer choradeira, ter o cabelo mal arrumado, pois papai tem um faro... "Aquela mulher (apontou para Fatima), tem dinheiro", foi logo me dizendo quando chegou o sábado das compras. Foi a escolhida, não teve escape. Forçada a enfrentar a despesa da feira, no sacolão perto de casa, foi seguida por uma procissão de braços hábeis e robustos (nós), para carregar os volumes. Um sofrimento. Cada item que selecionávamos, vinha secundado por seu inútil protesto. Não herdou, do nosso pai, o vício das compras, ou o desapego às cédulas... Ele, por outro lado, não estava feliz com nossa ida ao sacolão, preferia que enfrentássemos a madrugada na feira da rua, onde acharíamos mais variedade nas escolhas, querendo um desfalque na bolsa da filha.


Quando retornamos da expedição, espalhamos tudo na mesa, para animá-la. Continuou retraída e pensativa, mas nessa casa, já foi dito, que nada se perde, tudo se repõe. É a política de compensação do patriarca, já aceita e praticada por todos, sem grandes preâmbulos.

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