segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O CAFÉ DE PAPAI...


O ritual na produção do primeiro café do dia segue regras e etapas rigorosas estabelecidas por papai, há anos. Quando eu acordo, às 4:20 da manhã, para a minha caminhada, ele já encontra-se em frente ao fogão, observando a fervura da água na chaleira (modelo antigo, feito de chapa de zinco, soldada em forma de cone, com uma asa para segurar), enquanto olha os ponteiros do seu relógio de pulso. Entro no banheiro, escovo os dentes, troco de roupa, volto e ele continua estático, nessa mesma operação. Por quanto tempo vai essa fervura, não sei, mas parece um momento meditativo e tão intenso que nunca tive coragem de interrompê-lo. Estou compilando tópicos para uma cartilha, ou manual, de ajuda à próxima geração de idosos da irmandade e já fica um aviso, que, rituais são formas de sentir-se em terra firme, quando tudo parece escapar do seu controle. Papai é o rei dos rituais e, pelo visto, vamos viver, também, um futuro ritualístico, do jeito que a idade avança para essa turma do pé da serra...

Um comentário:

  1. Hoje almocei no pé da serra...Lolina foi a cozinheira oficial,jamais faria um comentário deselegante a esse respeito, afinal, sou uma das poucas frequentadoras da casa neste horário...mas, vamos ao ritual...após o almoço, o café é sagrado, com aqueles biscoitinhos...então, o glu,glu glu da chaleira...eu não entendi porque ela tambem estava deixando essa água ferver tanto...agora entendi...O RITUAL...

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