segunda-feira, 12 de maio de 2014

A MEMÓRIA DE PAPAI...


Ontem à noite, comuniquei a papai a vinda de Marilza, nossa irmã que mora em Porto Velho, no próximo mês. Balançou a cabeça que não sabia quem era. Corri e lhe mostrei uma foto, onde estávamos reunidos, mas continuou balançando a cabeça. Lucinha, que estava presente, adiantou alguma informação de identificação: "é uma muito gorda"...Imagino que pela sua mente passou uma sucessão de gordas sorridentes, satisfeitas com o porte, mas não distinguia a filha. Outra vez, fui buscar uma foto mais individualizada, mas infelizmente, nessa era digital, as fotos recentes estão armazenadas no computador. Demorei na busca e ele comentou: "deve ser bem feia, pois nem a foto acha"... Recorri ao último recurso: ligação telefônica. Ela atendeu e eu lhe disse: "querida, temos um problema sério"... ora, ser excluída da lista de herdeiros do chevetinho não é coisa banal entre a irmandade... e quando ela soubesse??? Ouvi sua voz já aflita: "o que foi, minha irmã?"... Eu lhe expus o caso. Papai simplesmente não lembrava dela, nem mesmo com as pistas dadas por Lucinha. "É melhor que fale com ele", lhe disse. Passei o telefone e papai na maior diplomacia faz contato com muita animação. Não sabemos o que lhe foi transmitido, mas sua expressão foi mudando e um sorriso estampou-lhe a cara. Marilza tem o dom de manipular palavras, não é atoa que é jornalista e quando a conversa foi encerrada, o comentário de satisfação de papai foi: "é aquela filha que me dá dinheiro"... Anotem isso, caros irmãos: a memória da identidade dos filhos está vinculada aos numerários que ganha...

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