sábado, 31 de janeiro de 2015

O FIM DE ANO PARA PAPAI...


Papai, seguidor de uma rotina imutável, passa por um breve período de adaptação, nos fins de ano, Semana Santa ou outros longos feriados, quando os filhos convergem e aglomeram a casa paterna. Na atualidade a noção e definição do tempo tem, para ele, um significado que ainda nao somos capazes de definir, e assim sendo, creio, que, foi com muita surpresa que presenciou, neste último fim de ano, o influxo de irreconhecíveis familiares, no seu sagrado domínio. Participou dos momentos celebrativos, da presença da irmã mais nova, vinda do Maranhão e mesmo sem reconhecer os laços sanguíneos manteve um clima agradável e acolhedor. Divertiu-se com as histórias e piadas que ouviu e não perdeu a oportunidade de atrair atenção para sua, sempre, precária situação financeira. Cortês, alegre e atencioso, mas embora esquecido, observava tudo e com a passagem dos dias, em particular, chamava-me e indagava: "quando vão embora?..." Enfim  chegou o dia das partidas. As despedidas vem, invariavelmente, atreladas às contribuições financeiras e todos sabem que o valor das doações é o determinante pêndulo de oscilação da sua pressão arterial. Tiramos o chapeu, em reconhecimento e agradecimento, para nosso, esquecido, mas esperto pai. Uma reflexão para os idosos da familia, numa advertência martelada nos meus ouvidos, desde crianca: o futuro é escuro... 

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