sábado, 25 de julho de 2015

A INQUIETUDE DE PAPAI...


Com a diminuição progressiva da sua capacidade intelectual, papai não desacelera a motora, ficando mais inquieto, como uma busca de ocupar esse vazio. Por exemplo, chegando o dia do abastecimento de água, essa casa vira de cabeça pra baixo, pois não só inicia um intensivo trabalho aguando as plantas do jardim dianteiro, como alterna sua atenção e movimentos para o quintal, enchendo todos os tambores, bacias e baldes. E nos dias sem água, pastora o céu por nuvens, as notícias da TV, por previsões de chuva, andando de um lado para outro, nos chamando para ver as formações das nuvens, ora balançando a cabeça desanimado, ora otimista. Sua atenção, também, pode voltar-se para as podas das árvores, tanto as da rua, como as do próprio jardim. Comum vê-lo passar, pela casa, com alicates ou tesouras de poda e depois surpreender-me com os estragos nas inocentes plantas. Outro passatempo é a dedicação, na remoção de todas as folhas que estão prestes a secar, de árvores e plantas de jarros, um pesadelo para Dorinha que tem que juntar tudo, numa limpeza exigida por ele, de imediato. Um homem, ainda, de uma vontade de ferro, pois ninguém o convence do contrário de suas convicções e planos. 
Estou incerta como alertar os idosos da família.

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