domingo, 29 de novembro de 2015

PAPAI, CADA DIA MAIS ASTUCIOSO...


Com o avanço do seu esquecimento, papai, foi modificando a forma de agir, no que se refere ao pagamento de contas. O pagamento de Dorinha, nossa fiel ajudante, sempre esteve no topo da lista de suas prioridades, até que um dia chegou com essa conversa: "um "caba" me disse que não se paga mais do que dez reais por dia". Esse "caba" imaginário tornou-se um confiável conselheiro. A partir daí, todo dia, para ela, enrola uma nota de dez reais, presa por uma liga, num tubo de pastilhas. Mas dias atrás, veio com essa: " um "caba" me disse que eu já dou as pastilhas, não preciso dar o dinheiro". Foi aí que Dorinha se pronunciou: "Mas, Seu Alderi, que "caba" ruim é esse, que não quer que eu ganhe?" Creio que, ou sensibilizado com o que ouviu, ou duvidou do "caba", pois continua enrolando os dez reais nas pastilhas. A semana passada, esse pagamento foi diferente. Como não tinha a nota trocada, pegou um pão carteira (quadrado), empurrou as pastilhas no meio e passou a liga de borracha em volta. Queria cruzar a liga, mas o pão era grande e não deu. Andou para um lado e outro observando a arrumação e pareceu insatisfeito, pois, trocou o pão quadrado por um doce e posicionou as pastilhas ao lado. Cobriu e ficou esperando Dorinha para o café da manhã. Claro que Dorinha leva tudo na esportiva e sabe que recebe seu pagamento integral mesmo com essas artimanhas.
Uma advertência aos idosos da família: quando o esquecimento tornar-se um invasor, as pastilhas adocicam as deficiências comportamentais. Munam-se delas.

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