domingo, 6 de dezembro de 2015

O RELÓGIO DE PAPAI...


O manuseio do relógio tem sido o hábito mais constante do seu dia a dia. Ao levantar-se, concentra-se no movimento de lhe "dar corda". Na realidade, esse relógio, um Orient, bem antigo, é carregado com o movimento do pulso, mas papai não acredita que ele funcionaria sem seu esforço. Outro dia me pediu ajuda: "minha filha, meus dedos estão doendo", e passou-me o relógio para que continuasse sua tarefa, pois seus indicadores estavam arranhados de tanto dar corda. Tentei lhe explicar que não necessitava fazer isso, mas não quis me ouvir. Pensei buscar ajuda fora, quem sabe contratar o neto Jeronimo e seus amiguinhos, que se revezariam nessa atividade. Mas papai tem um ciúme danado desse relógio e não o confiaria a menores. De tanto catucar, outro dia, um ponteiro caiu. Foi preciso levá-lo a Catolé do Rocha, cidade vizinha, para o conserto. Dedé, o genro favorito, cuidou disso, mas o reparo levou alguns dias. A separação foi dolorosa. Ameaçava ir a Catolé, todo o tempo da ausência. Enfim o reencontro, mas, logo, logo, de tanto manusear foi a vez da pulseira ceder. A troca por uma nova não significou descanso, pois, agora, chegamos à última ocorrência, resultado do tira, tira do braço: o pino, que conecta a pulseira ao relógio, quebrou. Essa saga tem continuação, pois sua atenção focaliza, com seriedade, nesse marcador do tempo.
Uma advertência aos idosos da família: relógios com pilhas requerem menos esforço. Cuidado com os dedos indicadores.

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