quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PAPAI AINDA DIRIGINDO?...


A visão de papai, na direção do seu precioso e cobiçado Chevette, por anos, pelas ruas da nossa cidade, já tornou-se um elemento característico. Além disso, foi motorista profissional por mais de 30 anos e locomover-se motorizado deve lhe parecer um direito incontestável. Para ele, tem sido o hábito mais difícil de esquecer. Fico de prontidão, quando percebo que quer sair, para levá-lo em outro carro, mas quantas vezes me passa um pitu. Quando necessito fazer compras, ou ir a outro lugar e promete que ficará em casa, a surpresa vem rápida. Antes mesmo de estacionar, no centro, já vejo o Chevetinho desfilando do outro lado da rua. Outro dia escondi as chaves. Ficou aflito e inquieto. Revirou minhas gavetas e tive medo que danificasse algo. Logo as encontrou. A entrada e saída do nosso quintal, onde estaciona o Chevette, é bem apertada e até essa semana realizava essas manobras sem dificuldades. Porém, dias atrás, um arranhão grande no para choques do lado direito, quando saía, constatou o declínio de suas habilidades. Isso nos preocupou ainda mais. Pedimos a Dedé, o genro favorito, para desabilitar o carro. Mas no dia seguinte ele percebeu e de tanto chamar Dedé, que é nosso vizinho, venceu pelo cansaço. O carro foi reabilitado, mas as chaves foram outra vez guardadas e minha atenção redobrada. Papai tem uma personalidade forte e sua persistência é bem conhecida. Vai ser uma luta, mas venceremos com diplomacia e vigilância. A segurança própria e de muitos está em jogo.
Uma advertência aos idosos da família: o uso de um motorista é recomendável quando a distração se sobrepor à atenção.

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